Coreia do Norte acusa Seul na ONU de fabricar incidente com minas na fronteira
A Coreia do Norte apresentou uma queixa às Nações Unidas acusando a Coreia do Sul de deturpar as circunstâncias de uma explosão de minas que feriu três soldados sul-coreanos em setembro, noticiou hoje a agência estatal KCNA.
Segundo a agência de notícias, uma missiva enviada pelo representante norte-coreano junto da ONU considerou que o incidente foi "fabricado" pela Coreia do Sul, e "não passa de uma sinistra manobra de obstrução para apresentar a fortificação da fronteira sul da Coreia do Norte como uma `incursão militar`, atrasá-la e impedi-la".
As tensões entre as duas Coreias agravaram-se após a explosão de minas ocorrida a 21 de setembro na Zona Desmilitarizada (DMZ, na sua sigla em inglês), que provocou ferimentos em três militares sul-coreanos.
Seul acusou Pyongyang de ter colocado os engenhos explosivos a sul da Linha de Demarcação Militar, a fronteira de facto entre os dois países, e enviou igualmente, na semana passada, uma carta de denúncia ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A missiva norte-coreana defende ainda as obras na fronteira como uma medida de autodefesa em conformidade com o direito internacional e acusa Seul de violar a Carta das Nações Unidas ao disparar contra soldados norte-coreanos, segundo a KCNA.
A Coreia do Sul tem sustentado, por seu lado, que as suas transmissões e disparos de advertência visam impedir travessias da Linha de Demarcação Militar.
A agência noticiosa sul-coreana Yonhap fotografou no domingo o que aparentam ser peças de artilharia autopropulsadas de 122 milímetros na costa norte-coreana de Gaepung, visíveis a partir de um observatório em Gimpo, a oeste de Seul. Um especialista consultado pela agência classificou como invulgar a presença tão exposta da artilharia norte-coreana junto à fronteira.
A deteção ocorreu apenas um dia depois de o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter apelado ao reforço das forças armadas do país e à sua transformação, "o mais rapidamente possível e em simultâneo", numa força militar de elite, durante uma conferência militar.
Na semana passada, Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, ameaçou destacar mais armamento e reativar altifalantes de propaganda na fronteira, enquanto um alto responsável militar advertiu para um contra-ataque "imediato" caso Seul ameace a segurança dos seus soldados.